Diferença entre Bíblia Católica e Bíblia Protestante

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Diferença entre Bíblia Católica e Bíblia Protestante: o que muda nos livros, na formação do cânon e na interpretação segundo a Igreja

A pergunta sobre a diferença entre Bíblia Católica e Bíblia Protestante é uma das mais buscadas por quem deseja compreender melhor a fé cristã. Afinal, por que as Bíblias não possuem o mesmo número de livros? Quais livros existem na Bíblia Católica que não estão na Bíblia Protestante? E o que a Igreja Católica ensina sobre a formação do cânon bíblico?

Neste artigo completo, fundamentado na tradição da Igreja e no Catecismo da Igreja Católica, você encontrará uma explicação clara, histórica e teológica, com linguagem acessível e conteúdo otimizado para buscas.

O que é o cânon da Bíblia?

Antes de compreender as diferenças, é essencial entender o que significa “cânon”.

A palavra “cânon” vem do grego kanon, que significa regra ou medida. No contexto bíblico, refere-se à lista oficial de livros reconhecidos como inspirados por Deus.

Segundo o Catecismo (CIC 120), a Igreja discerniu, sob a ação do Espírito Santo, quais livros pertencem às Sagradas Escrituras.

Portanto, o cânon bíblico não surgiu de forma imediata, mas foi definido ao longo da história da Igreja.

Quantos livros tem a Bíblia Católica?

A Bíblia Católica possui:

  • 46 livros no Antigo Testamento

  • 27 livros no Novo Testamento

  • Totalizando 73 livros

Quantos livros tem a Bíblia Protestante?

A Bíblia Protestante possui:

  • 39 livros no Antigo Testamento

  • 27 livros no Novo Testamento

  • Totalizando 66 livros

Assim, a principal diferença está no Antigo Testamento.

Quais livros estão na Bíblia Católica e não estão na Protestante?

A Bíblia Católica inclui sete livros chamados de deuterocanônicos, que não aparecem na maioria das Bíblias protestantes.

São eles:

  • Tobias

  • Judite

  • Sabedoria

  • Eclesiástico (Sirácida)

  • Baruc

  • 1 Macabeus

  • 2 Macabeus

Além disso, há partes adicionais nos livros de Ester e Daniel.

Os protestantes chamam esses livros de “apócrifos”, enquanto a Igreja Católica os reconhece como inspirados.

Por que esses livros estão na Bíblia Católica?

A Septuaginta

Para entender essa questão, é necessário voltar à história.

Nos séculos anteriores a Cristo, muitos judeus viviam fora de Israel e falavam grego. Por isso, foi feita uma tradução do Antigo Testamento para o grego chamada Septuaginta.

Essa versão incluía os livros deuterocanônicos.

Curiosamente, era essa versão que os primeiros cristãos utilizavam, inclusive os apóstolos.

Portanto, a Igreja primitiva herdou essa tradição.

O papel dos Concílios na definição do cânon

A Igreja definiu oficialmente o cânon nos primeiros séculos.

Destacam-se:

  • O Concílio de Hipona

  • O Concílio de Cartago

Posteriormente, diante da Reforma Protestante, o cânon foi reafirmado no Concílio de Trento.

Assim, a Igreja confirmou os 73 livros como inspirados.

Por que os protestantes removeram esses livros?

Durante a Reforma no século XVI, Martinho Lutero questionou alguns livros do Antigo Testamento.

Ele preferiu basear-se no cânon hebraico, que excluía os deuterocanônicos.

Além disso, algumas passagens desses livros apoiavam doutrinas católicas, como a oração pelos mortos (2 Macabeus 12,45), o que gerou controvérsias teológicas.

Portanto, a diferença está ligada à autoridade e à tradição.

Diferença na estrutura do Antigo Testamento

Embora os livros protocanônicos sejam os mesmos, a organização também varia.

Na Bíblia Católica, os livros estão organizados em:

  • Pentateuco

  • Históricos

  • Sapienciais

  • Proféticos

Já na Bíblia Protestante, a divisão é semelhante, porém sem os deuterocanônicos.

O Novo Testamento é igual?

Sim. Tanto a Bíblia Católica quanto a Protestante possuem os mesmos 27 livros do Novo Testamento.

No entanto, historicamente, Lutero chegou a questionar livros como Tiago, Hebreus e Apocalipse, embora não os tenha retirado oficialmente.

A diferença na interpretação

Além do número de livros, há também diferença na interpretação.

Igreja Católica

A Igreja ensina que a Bíblia deve ser interpretada à luz da:

  • Tradição

  • Magistério

  • Comunidade eclesial

Conforme o Catecismo (CIC 113), a Escritura deve ser lida no mesmo Espírito em que foi escrita.

Protestantismo

Grande parte das denominações protestantes defende o princípio da “Sola Scriptura”, ou seja, somente a Escritura como autoridade final.

Essa é uma diferença teológica significativa.

A importância da Tradição

Para os católicos, a Bíblia nasceu dentro da Igreja.

Antes mesmo de o Novo Testamento estar completo, a Igreja já celebrava a Eucaristia e transmitia oralmente os ensinamentos dos apóstolos.

Portanto, Escritura e Tradição caminham juntas.

O que diz o Catecismo da Igreja Católica?

O Catecismo ensina (CIC 80):

“A Sagrada Tradição e a Sagrada Escritura constituem um só depósito sagrado da Palavra de Deus.”

Assim, a Bíblia não pode ser separada da Igreja que a reconheceu e preservou.

A Bíblia Católica é maior?

Sim, em número de livros. Contudo, não se trata de “acréscimo posterior”, mas da preservação de livros já usados na Igreja primitiva.

A Bíblia Protestante está errada?

Do ponto de vista católico, faltam livros inspirados. No entanto, a Igreja reconhece que os protestantes compartilham os mesmos livros do Novo Testamento e grande parte do Antigo Testamento.

O diálogo ecumênico busca compreensão e respeito mútuo.

Conclusão

A diferença entre Bíblia Católica e Bíblia Protestante está principalmente:

  • No número de livros do Antigo Testamento

  • Na aceitação dos deuterocanônicos

  • Na compreensão da autoridade da Tradição

Enquanto a Bíblia Católica possui 73 livros, a Protestante possui 66.

Contudo, ambas proclamam Jesus Cristo como Senhor e Salvador.

Portanto, compreender essa diferença ajuda não apenas no conhecimento teológico, mas também no diálogo respeitoso entre cristãos.

Oração pela unidade dos cristãos

Senhor Jesus,
que todos sejam um, como Tu pediste ao Pai.

Ajuda-nos a compreender melhor Tua Palavra
e a viver a caridade no diálogo.

Conduze-nos à verdade plena
e fortalece nossa fé na Sagrada Escritura.

Amém.